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segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Existencialistas, Paris em 45

Existencialistas [minha francesíssima Tássia] não cantaremos La Vie em Rose - nós a faremos com nossos corpos. O mundo a combater fascismos e nós [alienados talvez] a passear em um pequeno bairro chamado Vanves ou na Avenue de La Périphérie [quem disse que Paris precisa ser central e célebre?] – eu com minha gola rolê, e você com sua boina e seu casaco marrom-claro – o qual tirarei em menos de três segundos e meio após adentrarmos a mansarda com os tetos a amoldurar a famosa Torre ao fundo.

E os tirarei como existencialista, sem dar importância às convenções sociais [pois o mundo é desespero e cada um deve ter um projeto individual] e você se jogará por cima de uma mesa estilo Luís XV [pois as camas são um reflexo da decadência burguesa] e afastará as coxas o mais que a humana condição te permitir. Desafiador dos preceitos de uma sociedade obsoleta, vou te apoiar na mesa [nós a olharmos na mesma direção, juntos na direção do futuro] e procurarei novos caminhos em teu corpo, e você [com a coragem típica de uma militante revolucionária] aceitará, mesmo com um pouco de dor, que faz parte da busca do sentido do mundo.

Ao final você será Torre [minha existencialíssima Tássia], como a outra, e serei a base, o rio Sena onde você se se apoiará e gritará palavras desconexas – palavras de ordem de seres perdidos em um mundo absurdo em um apartamento em Fortaleza ou Paris.

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