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sábado, 23 de dezembro de 2017

Serei Venusiana

Chamar-me-ei Vênus e serei venusiana. Não, Vênus não – terei outro nome banal e venusiano como Tak-Ki-Nori, KV456 ou qualquer outra bobagem de ficção científica classe C. Habitarei o Mar do Êxtase [existem acidentes geográficos em Vênus?] dentro de uma nave sideral  circular e achatada [Ó originalidade] e com meu telescópio hiperatômico observar-lhe-ei a tirar a camisa em Ipanema ou Waikiki. Contarei cada uma das trincas de músculos do abdômen, tanto na tal praia como na antessala da nave na qual te sequestrarei – em um talvez único caso de abdução que não envolverá algum nerd ou caipira sozinho em estrada sertaneja à meia-noite.

E com você [meu caro abduzido terráqueo] realizarei experiências científicas venusianas – se você se adapta mais como puro-sangue ou como jóquei, quantos segundos de tempo de recuperação da segunda para a terceira e a intensidade da explosão depois que eu abrir alto-a-baixo o fecho do macacão prateado – pois as venusianas usam macacão previsivelmente prateado, além de um fecho que não emperra.

E depois de usado, dobrado e amarrotado [minha cobaia terráquea] vou levá-lo de volta [dessa vez para alguma estrada deserta nos cafundós de Minas para quem ninguém veja] e antes de abrir o portão metálico [toda nave espacial tem portão metálico] farei com você uma experiência final rapidinha para deixar você sempre espionando nas noites [no seu telescópio não-hiperatômico] quando aquela cientista extraterrena voltará para confirmar as observações.

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