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terça-feira, 19 de dezembro de 2017

Serei bancário, serás Stripper

Serei bancário, serás stripper. Usarei óculos fundo de garrafa, serei magrinho como garrafa e durante seis horas ocuparei o último caixa da última bateria da última agência da última rua. Depois subirei a dita rua que em certo ponto se transformará com fachadas em neon e péssimas línguas estrangeiras: Belle Nuit, Special Cat, Bella Donzella.

E em cima de um pedestal aparecerás [bella donzella ou coisa que o valha], legging bicolor coladíssima, saia de bolinhas anos-cinquenta ou sarong de havaiana – importa pouco o que vestirás mas o que despirás, e principalmente quando e como – e a demora me reduzirá [na última mesa da última fileira] a morder os dentes e engolir mais duas doses do uísque ao quádruplo do preço. Com o mastro do pole dancing farás dupla [só tu e ele], e rodearás o metal polido e te jogarás inteira para trás. E com os dias saberei exatamente o teu gosto de lingerie: qual cinta-liga, violeta ou azul-forte, os enfeites em frivolité com bordados transparentes de peixinhos.

E um dia depois de tudo aparecerás em frente às fachadas de neon [roupão de ginástica e cabelo úmido de pós-banho] e me perguntará se tenho uma pastilha menta. Dividiremos um hamburger gourmet no primeiro street-food e nos casaremos. Serás atendente na butique do shopping, teremos um menino e uma menina, na ordem, e todos os domingos te levarei para sorvete e pipoca na primeira fileira do cinema.

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