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sábado, 23 de dezembro de 2017

Os Segredos de Elizabete

Elisabeths Geheimnis nunca foi traduzido em português. Boa coisa aliás, pois se o fosse algum editor sensacionalista escolheria o título de A Devassidão da Rainha ou algum assemelhado desastre. Publicado em Viena entre 1867 e 1873 [a pequena duração da gráfica em que foi impresso lhe conferindo essa fechada janela de tempo] essa brochura [na verdade um panfleto] ter-se-ia originado da inveja de um grupo de Condessas em relação à Imperatriz [não casualmente denominada Elizabete].

Inveja [claro está] não do seu poder [espera-se que Imperatrizes o tenham] mas de algo que elas poderiam ter [ou achavam que poderiam]: os um metro e setenta e dois de altura, e mais que isso, os cinquenta quilos de peso. Isso [em uma época de rainhas] fazia com que até uma blusa rasgada e suja ganhasse nela o status de estilo despojado.

Porém não usava blusas rasgadas e sujas. Os vestidos de luxo ficavam nela ainda mais deslumbrantes e arrastavam a multidão que acorria atrás dela até para assistir à missa na catedral de Santo Estevão.
Incapaz de atribuir infidelidade à sua fictícia Elizabete, o autor ou autora secreta criou um duplo e não economizou ousadia: a protagonista fazia papel de amazona para muitos cavalheiros [cavalheiros desde duques até rapazes de coche] em alcovas de Palácio, a dois, a três, a mais, desde que ela como única dama.

De inverossímil, o panfleto nunca foi reimpresso. E a multidão de admiradores da Imperatriz ameaçava mesmo dar uns sopapos em quem o fizesse.

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