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sábado, 23 de dezembro de 2017

Liberaremos em Berlim

Seremos livres [Tássia] e liberaremos. Digamos, não seremos nós [e você não terá seu nome]. Você se chamará [digamos] Teresa ou Charmille, e arrasaremos em São Paulo ou Paris – ou muito melhor, iremos para longe mesmo: serei Hector, você será Tanja, e Tanja e Hector pisarão às 23 hores e dezessete minutos do dia 11 de setembro de 1927 o mármore rajado de rosa-choque na porta do Schöne Elizabeth, na esquina da Keithstrasse com a avenida do Canal em Berlim.

Os tempos serão difíceis [cara Tanja] e quais tempos não o são? Serei free-lancer e cometerei poemas de cunho social e você será jornalista no Die Weltbühne, o muito adequadamente denominado jornal A Cortina do Mundo. Saberemos dos problemas - nós e o círculo de liberados bem-pensantes a que pertenceremos: magotes de camisas-cinzas passarão pela rua.

E sabendo que nosso mundo desabará, aproveitaremos antes que o faça: no Schöne Elizabeth [o mais belo cabaré depois do Hotel Adlon] as damas entrarão com cabelo Chanel e saias pelo joelho e os cavalheiros de fraque. E depois de alguns minutos [na verdade não muitos] pouco dessas roupas restará colada nos corpos. Conservadores, começaremos como casal – depois trocaremos de casal, e posteriormente desafiaremos as leis da semântica ao constituir casais de três, de quatro, de fila, Warum nicht ou Why not?

Depois nos juraremos amor eterno, você rearranjará seu chapéu com penas e sairemos à rua onde cai uma chuvinha fina.

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