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quarta-feira, 27 de dezembro de 2017

A Condessa e o Professor

A Condessa Elizabeth von Bayern pisou pela primeira vez o corredor de sua nova e provisória casa no Arquipélago da Madeira em uma previsivelmente ensolarada manhã do dia 17 de março de 1861.
Casa provisória – um dos surtos de tosse que nos anos pré-penicilina tudo podiam significar a expulsaram de uma gélida Viena para ilhas no meio do Atlântico. A mesma Viena onde deixara três filhos [que surpreendentemente a deixaram mais magra e mais feminina], uma sogra chata e um marido que mal via.

Ocupava seus dias [e como são longos os dias em que se espera recuperação] em olhar as ondas e ler romances.

Nesse romântico cenário de uma bela jovem casada e pouco feliz junto com uma bela ilha, só faltava um romântico mancebo. E ele chegou – na forma de um jovem com o quase impronunciável nome de Imre Hunyádi. Ele lhe ensinava a língua húngara, com suas trinta e cinco desinências que o jovem repetia junto com a jovem, os dois próximos com as mãos sobre a gramática, um sentir o calor da respiração do outro.

Talvez um século depois as coisas fossem diferentes. Mas, gente de sua época que eram, Imre nunca abriu o fecho do sutiã de Elizabeth, não apreciou o seu gosto nas cores da cinta-liga e nunca sentiu a língua dela a pretender lhe alcançar a garganta. Se queriam, nunca se soube.

Até que Elizabeth retornou ao seu palácio e à sogra chata e ao demais. Depois tornou-se amicíssima da irmã dele. Se isso foi alguma estranha forma de compensação, não se soube também.

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