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segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Vivamos, Minha Querida, E Amemos

Vivamos, minha querida [Tássia], e amemos, e as censuras desses velhos tão severos não valham para nós um só centavo. A Roma Antiga ou a São Paulo de hoje empanturram-nos de tédio [sem clorofórmio nem vinho do Lácio para contrabalançar], e empurram-nos para longe. Tomarei um volume dos poemas de Catulo [terei prazer em te ver fazendo tua mala] e sumiremos para longe – a Lusitânia talvez, ou lugar nenhum.

Tomaremos uma galera no porto de Salerno [ou um voo da TAP, que importa] e desde que ponhamos os pés no túnel do Aeroporto [ou na primeira pedra da Via Appia] tu serás minha, como nunca.

Já existiu outra Tássia [minha cara] e tinha nome parecido. Era casada, e não com Catulo, e o pobre poeta roía os dedos de ciúme – e com os mesmos dedos tomava os pergaminhos e a ela escrevia poemas de amor e algo mais.

Os mesmos poemas que reescreverei [minha cara] não em pergaminhos mas em teu corpo, em alguma meia-noite de um hotel da franquia Quality Inn ou estalagem na Provincia Narbonensis.

E esse poema a quatro mãos [as tuas e as minhas] nós o escreveremos direto, inverso, de posição trocada, e mais uma vez. Tu alpinista subirás a montanha, completamente no seu auge, e a montanha serei eu.

Vivamos, minha querida, e amemos, e as censuras desses velhos tão severos não valham para nós um só centavo. E esse verso escreveu-o Catulo – ele escreveu e nós o viveremos. Pois São Paulo ou Roma Antiga nos enchem de tédio, e fugiremos para a Lusitânia talvez, ou para lugar nenhum.

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