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quarta-feira, 22 de novembro de 2017

Por duzentas e trinta e nove noites

Por duzentas e trinta e nove noites possuiu-me Manoela – ela Imperatriz e eu escravo, ela Comandante de Nave Espacial e eu grumete novato, ela Proprietária de franquia de sucos naturais e eu estagiário tímido. Poucas dúvidas havia [e além da retórica, não havia nenhuma] sobre quem detinha a posição superior em todos os sentidos da expressão.

Macacão prateado de ficção científica classe B, tailleur verde-forte de executiva, uniforme de oficiala da Cortina de Ferro em filme de James Bond, Manoela vestiu muitas roupas [e despiu mais ainda] antes de se aproximar – as mesmas que eu [estagiário ou grumete] só tirava sob suas ordens – eu a morder os lábios de timidez.

E Manoela impregnou-me de ordens, e me fez fechar os olhos [ou abri-los ao máximo], vestiu-me de Tarzan ou de ternos iguaizinhos aos de John Kennedy – isso, pouco antes de tirá-los peça por peça, e depois de uma peça teatral particular [da qual era a diretoria, produtora e público] mandar-me fechar a porta com cuidado ao sair. Uma Diretora e Roteirista que se esmerara em deletar as palavras respeito, decência e pureza além de seus equivalentes sinonímicos da nossa vida, da tal nave ou da loja de sucos.


Por duzentas e trinta e nove noites possuiu-me Manoela, ela Imperatriz e eu escravo. E hoje é a ducentésima-trigésima-nona noite.

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