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segunda-feira, 13 de novembro de 2017

O Duplo Ernesto

La Verdadera Vida de Ernesto Guevara [Buenos, Aires, 1976 ou 1977] nunca chegou a existir. Ou quase – a Ditadura Argentina inexplicavelmente mandou queimar os setecentos exemplares alegadamente impressos dessa brochura de qualidade duvidosa – inexplicavelmente pois se tratava de obra radicalmente de direita. Dela só restaram pedaços, publicados no suplemento literário do La Nación nos quatro domingos do agosto de 2005.

De fato tal obra [inicialmente atribuída a Borges, depois a Bioy, e posteriormente a ninguém, sendo ninguém um autor ou autora no anonimato] ganhou um lugar – [modesto, vá] no já modesto Panteão da literatura erótica.

O enredo começa com um jovem Guevara dobrando à direita na calle Mendoza em uma noite de novembro de 1946. [Na verdade dobrou à esquerda, topou com uma livraria de traduções de livros de revolução e o resto todos sabem].

O verdadeiro Ernesto [segundo o livro] encontrou um amigo, este o levou a conhecer umas moças mui libres, e o garoto de dezoito anos extasiou-se pelo amor carnal e não mais parou. As descrições de festinhas sem muita roupa, a dois, a três, a trinta, chegam a ser monótonas de tão recorrentes.

Curioso que os dois Ches morreram cedo, o Che do livro mais cedo ainda, com 38 [o outro teve um ano a mais].

A única vantagem [pelo menos segundo o reacionário autor ou autora] é que, ocupado em tirar sutiãs, o Che do livro não pensava em revoluções.

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