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domingo, 5 de novembro de 2017

Coração Profundo, o Pornô Da Existência

Coração Profundo teve sua estreia mundial em três cinemas poeirentos nos subúrbios oeste da cidade de Washington no dia 7 de agosto de 1971. Poeirentos e segundo alguns, pulguentos – o que seria bem coerente com a trajetória cinematográfica de um filme pornô segundo a turma dos que insistem em considerar a Sétima como uma forma de Arte, sem esquecer uma ponta de moralismo.

A Obra de Arte Independe da Minha Vontade – essa frase [de erotismo zero] abria o filme, projetada na tela por nove longos segundos, e seguida [e nisso o filme não decepcionou sua plateia esperável] de cenas de uma jovem loura sem problemas com  frio [pois usava muito poucas vestimentas, e geralmente nenhuma] em agradável companhia [ao menos para os participantes] de musculosos rapazes igualmente sem muito gasto com pano, e a posterior vinda de outras moças, algumas morenas, outras nem tanto, etc.

A obra causou a reação habitual da época a filmes excessivamente realistas. A defesa do seu diretor [através de pseudônimo] é que não pretendia agradar – e sim mostrar o que achava que devia ser mostrado. Que o cinema, nem a Arte, existiam para agradar quem quer que fosse nem reforçar as crenças de ninguém. As cenas lá estavam, as moças e rapazes também. Que cada espectador fizesse o que quisesse, com as cenas ou com sua vida.

Essa tentativa de rodar um pornô existencial foi compreensivelmente rejeitada e o filme recebeu carimbo vermelho da censura.

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