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segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Olívia, Sou John

Olívia Newton-John, serei o teu John, o Travolta. Serás de qualquer lugar: Olívias havia em London, Buenos Aires e Itaiçaba.

Compraremos Long-plays de Miss Lene e das Frenéticas, tomaremos sorvete de maracujá com baunilha [os tempos eram mais inocentes, ou não], e não despregarei olhos dos teus pés [talvez por alguma patológica fixação – e também para conseguir não rir de tuas ridículas meias dancing days de camadas de cor estridentes com fios douradinhos].

Iremos a um Mingau-pop no fim da tarde [sim, podem desterrar-me ao planeta Saturno mas o nome era esse mesmo] e os tempos não eram melhores [Olívia]. Os tempos eram [em verdade] muito chatos – apesar dos poucos carros [que nós achávamos que eram muitos] e da possibilidade de voltar à meia-noite sem colapsar de medo.

Ou os tempos eram interessantes – chatos éramos nós [Olívia e John] que não éramos o que éramos. Ou éramos – mas não fazíamos o que devíamos fazer.

E o que devíamos: em primeiro lugar, meditar sobre a implausibilidade de um futuro e a diminuta sabedoria de se viver em função dele.

E em segundo lugar, eu deveria ter te apoiado numa mesa [com cada mão a envolver uma dancing days], e afastado as duas meias o mais que possível uma outra [com teus tornozelos dentro] – e a calça cocota de barra baixíssima já previamente dobrada ao lado a esperar. Uma membrana de borracha nos livraria de consequências aborrecidas e seríamos Olívia e John.

 Mas éramos chatos [Olívia, do teu John], ou talvez os tempos é que fossem, mesmo.

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