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quarta-feira, 25 de outubro de 2017

Pegar-te-ei de quatro, de oito, de quanto mais

Seremos livres [minha cara Tássia] como talvez nunca o sejamos [livres como quem não existe]. Seremos gigolô e protegida em alguma casa de proto-jazz em Nova Orleans em 1919, ou, hoje mesmo, casalzinho tímido de colegas universitários – tímido só até agora.

Melhor – seremos livres e tomaremos carona a rolar pela Europa – não a Torre Eiffel e outras obviedades. Pararemos em Budapeste ou na capital da Letônia e a falta de dinheiro [ou a vontade de aparecer, ou ambos] nos fará oferecer nossos serviços a uma boate underground de náuseas – dessas típicas de Hollywood, sem classe mas com todo mundo bonito e com o dono a falar inglês perfeito.

E faremos [minha cara Tássia, duas da manhã e plateia lotada de caras e louras] o nosso espetáculo, sem temores de quem o suba ao Youtube [não existiremos, lembra? E quem não existe não tem reputações a defender].

No palco [nossas roupas lá no chão após strip a dois] eu te apanharei de quatro, de oito, de onze, de quanto mais, de todas as formas [minha versatilíssima Tássia] nenhuma delas decente, e te dobrarei em todas as curvas de que teu corpo curvilíneo é capaz. Ajoelhar-me-ei na tua frente em confissão, enquanto tu em pé de olhos fechados mirarás o teto de luz escarlate e enterrarás tuas mãos em meus cabelos em sinal de absolvição.

E ao final nos curvaremos aos aplausos e recolheremos os jeans e sairemos dando beijinhos. Para pegar carona no dia seguinte a outra cidade na qual seremos igualmente livres, minha cara Tássia.

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