.

.

sexta-feira, 20 de outubro de 2017

Antônio Frederico e Leonídia em alguma alcova no Pelourinho

Da obra duplamente mal denominada Os Amores Secretos de Leonídia somente um exemplar [em estado deplorável] se encontrou em um canto do Sanatório de Salvador em 1931. Compreensível pois se trata de manuscrito.

Duplamente mal denominada: primeiro não é de Amor que se trata, ou ao menos na acepção comum e melosa do termo. Segundo, não se trata de amores mas de um só.

Leonídia amou Antônio Frederico muito antes dele escrever o Navio Negreiro e as pessoas o chamarem um tanto lusitanamente pelo seus sobrenomes de Castro Alves. Um amor fraquinho, não consumado, do qual ela só teve a honra duvidosa de segurar o poeta nos braços enquanto ele partia do mundo.

Enlouqueceu depois, dizem que de saudades do que não aconteceu.

O [anônimo ou anônima] autor desta obra [tanto ficção como projeto de vida] se propôs a escrever o que a jovem deveria ter feito para manter a sanidade.

Começa com a fuga desta do engenho, acompanhada de uma criada, e da sua chegada ao quarto de estudante do poeta no Pelourinho.

E continua descrevendo cada uma das posições, a troca das mesmas, o motivo de cada um dos suspiros, a diferença de um milímetro no diâmetro entre os bicos da jovem, que o detalhista poeta não deixou de apreciar.

E terminava [previsivelmente] com a gravidez da moça, de um filho que daria sentido a sua vida.

Lamentavelmente [diz o autor ou autora com comoventes boas intenções] Leonídia foi uma boa moça, e morreu em um hospício.

Nenhum comentário:

Postar um comentário