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quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Um Momento e não mais

Conto a história de Kédira – e Kédira podia ser mercadora de pérolas, corretora de imóveis ou aquela tua tia-bisavó que a história oficial da família deletou por indecência.

Conto a história de Elêusis – de quem se alegaria ser escravo do Épiro, soldado da fortuna ou alpinista radical em alguma cresta de monte no Oriente Extremo.

Kédira leria os tratados de Euclides e as versões menos censuradas do Cântico dos Cânticos, e descobriria que as paralelas encontram-se no âmago do infinito e no seu próprio corpo.

Elêusis iria de’cor´ar os nomes das seiscentos e sessenta concubinas do Rei Salomão, e a cada uma delas conferiria o titulo de nova Lady, Chatterley ou Godiva, dentro do supremo poder que a fantasia confere.

Encontraram-se apenas por uma vez, em um quarto com pouca luminosidade, um cobertor de penas, e não interessa saber mais detalhes.

E Kédira, que podia ser muitas, cravou suas unhas nas costas de Elêusis, que enterrou o rosto nos cabelos de Kédira que recendiam a algum sândalo antigo do Oriente ou perfume top – a pele morena na pele branca, e pouco importa saber o que pertencia a quem.

Não quiseram saber detalhes um do outro, e nem eu e você devemos querê-lo.

Louvemos a Kédira e Elêusis, que souberam ser mulher e homem, durante um instante – e é inútil sê-lo mais.

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