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terça-feira, 1 de agosto de 2017

21 de Maio de 1911 – Drakorsky, o Terror da Noite



Viverei por ainda algum tempo. Depois, senão, talvez -  e essas palavras [menos enigmáticas que destituídas de sentido] pronunciou-as Drakorsky, o Terror da Noite ao se encerrar no ataúde quer esperavelmente lhe servia de leito [com uma outra corrente de testemunhas a jurar que o disse por nada menos que três vezes, mas ao sair para o sol.

A polêmica seria [em princípio] fútil, pois Drakorsky nunca existiu – o que não o impedia de aterrorizar pesadelos de crianças e adultos. De maneira nada surpreendente vivia [se é que esse verbo se pode aplicar a um morto-vivo] em um castelo na Transilvânia [muito mal representado por um tabique de taipa em Esperantina, Piauí, onde o filme foi rodado] e considerações de direito autoral fizeram seu nome ser mudado para Drakorsky [o que não adiantou nada pois do meio para o fim do próprio filme os atores o pronunciavam como Drácula]. Claro que as plaquetes de texto [o filme era mudo] não transpareciam tal sinceridade.

Apesar das bilheterias pouco mais que modestas o filme trouxe ondas de interpretação cinéfilas que não cessaram de rolar. As mais óbvias dizem ser Drakorsky o prenúncio do que está morto-vivo – e a grande questão seria, o que está hoje morto-vivo? Para uns, seria a virtude; para outros, os bons costumes; não faltam as queixas de que é o respeito aos mais velhos. 

Uma corrente mais séria [e pouco popular] assevera estar a Democracia como vampiro – anda, mas pouco mais que isso. Como disse, trata-se de explicação não muito aceita.

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Esta crônica se encontra com as outras da mesma série em  http://inexistentebrasil.blogspot.com.br
 

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