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sexta-feira, 28 de julho de 2017

19 de Maio de 1950 – Interminável Julho



Senfino Julio – esta inscrição [que os contemporâneos classificaram como nada menos que misteriosa] descobriram-na três equipes de arqueólogos diferentes, em escavações em três pontos virtualmente antípodas [duas exatamente sobre a linha do Equador e a terceira a 303 léguas de distância, a formar triângulo quase equilátero] e em espaços de tempo quase simétricos [sempre em maio, sendo uma em 1946, outra dois anos depois e outra agora] e tanta correlação gerou os inevitáveis debates sobre sua origem, não faltando os alienígenas verdes de três orelhas e a comunicação com espíritos do além.

Curiosamente as inscrições [duas deles em irrepreensíveis placas de bronze e uma de madeira] suscitaram a análise de historiadores, sociólogos, calígrafos, ufólogos, artistas plásticos e sensitivos paranormais. Ninguém [ao menos a princípio e por inverossímil que fosse] lembrou de chamar linguistas. 

Quando finalmente vieram, o campo de análise já se encontrava tão borrado por hipóteses, subteorias e contrarrevoluções conceituais que foi difícil a eles [como seria a qualquer um] escapar da corrente dominante, que atribuía tais inscrições ao uma civilização extraterreste com poderes paranormais.

Dois dos linguistas [no entanto e aplicando análise diacrônico-sintática simples] concluíram que se tratava de estranha língua destinada a paz, e que a inscrição dizia apenas: Interminável Julho. E nada disseram do porquê. Desnecessário dizer que isso exacerbou mais ainda os debates.



Esta crônica se encontra com as outras da mesma série em  http://inexistentebrasil.blogspot.com.br
 

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