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segunda-feira, 12 de junho de 2017

Onde quedou o nosso Bem

O Mundo era cinza e florido ao mesmo. Cinza: havia os Militares; os Três Coronéis [que no Ceará determinavam vidas, destinos, mapas astrais e mais que isso, com seus bilhetinhos diziam quem ia e quem não ia ter emprego no Estado – Concurso Público? Que ser isso, pálida?]; Juízes com total independência para decidirem sobre brigas de gatos entre vizinhos; Disse me disse sobre sumiços de gente inconveniente; Subserviência em relação a gringos, for sure.

Florido: Anistia, Liberdade, Músicas quase ininteligíveis de códigos contestatórios, Diretas já – o Povo quer votar, Constituição, Partido de Oposição, esses babados – que nos levariam a algo. A ser o que éramos e por enquanto o cinza tingia de sua óbvia cor.

Trinta nos depois de volta estamos. Ao que éramos não – nunca há voltas. O Cinza se foi – ou não. Pelo menos o que conhecíamos. Falam em Diretas Já – as mesmas que vi na Rua Senador Vergueiro no Rio. Só que era 1984.

Onde tudo deu errado? Onde nosso bonde descarrilhou [embora não existam mais bondes pois o transporte privado tem prioridade]? Quando alguém errou o endereço do Doce País que encomendamos [ou alguém levou algum para esquecer de enviá-lo?]

O Mundo era melhor – e não se trata de saudades senis. Era melhor pois mais simples – havia o Mal e o Bem. E o Bem venceu.

Sabemos hoje que o Bem tem muitas nuances – e algumas delas dão muito trabalho para a Polícia e uma meia dúzia de Procuradores.

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