.

.

terça-feira, 6 de junho de 2017

A Dignidade – aonde foi ela

Ernesto Geisel olhos azuis e cabeleira branca dizia boa noite para a lente da câmera e na rua República do Líbano em uma Fortaleza muito distante eu recebia a saudação como para mim. Pai, mãe, irmãs – todos dormiam e eu ficava a assistir seus discursos no canal Dez. Foi o primeiro Presidente do qual lembro claramente o rosto. O General falava firme, mas de vez em quando com um perceptível sorriso.

Foi ele quem me trouxe a impressão – que se corporifica bem longe, nas fotos do Monte Rushmore [aquela montanha na pedra na qual se esculpiram as efígies de Washington, Jefferson e Lincoln]. A de um Presidente como um grande Pai. Sólido, Digno, Sério, Confiável. Até um pouco distante. Alguém diante de quem se tem um sentimento de reverência, e ao mesmo confiança.

O Tempo e muitos outros presidentes passaram e leituras posteriores me mostraram que nem mesmo o General Geisel da vida tinha muita congruência com o Presidente Geisel dos pronunciamentos de fim de noite. Mas ficou a imagem.

A qual insiste em bater de frente com notícias de jornal, imagens de TV e notas de internet: os Pais de Todos não são gente com a gente – são certo tipo de gente: têm amigos com contas bancárias questionáveis, ouvem tramoias sem erguer a sobrancelha e se pelam de medo de um ou outro juiz.

E eu me torno de novo menino de 14 anos, a pensar que no mundo pontificavam adultos sóbrios, às vezes até duros, porém dignos.

Nenhum comentário:

Postar um comentário