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quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Sobre o vestido de Aline Riscado, e sobre a Liberdade em Relacionamentos

Uma jovem chamada Aline Riscado postou fotos de um vestido bem ousado, na Internet.

Outras jovens resolveram enviar mensagens a supostos namorados dizendo que decidiram usar vestido parecido. Alguns namorados gostaram, outros não.

A avalanche de comentários bem pouco iluminados me fez escrever isso:

Bem, vamos lá.

1º) Antropologicamente, em nossa cultura, o que é um relacionamento de casal. Um relacionamento, em nossa cultura, implica perda de liberdade.

Não caia para trás. É isso mesmo. Se você entrou em um relacionamento, tornou-se menos livre.
Você, casado, não pode decidir fazer um doutorado na China sem combinar com sua esposa. Você, noivo, não pode resolver levar sua velha ex-namorada para jantar sem antes pedir permissão (!) a sua noiva.

Você perdeu parte de sua liberdade. Em compensação, você ganhou algo – companheirismo, cumplicidade, sexo...

Vale a pena? Continue com o relacionamento. Não vale? Termine. Mas há uma escolha a ser feita – com ganhos e perdas.

2º) Há um dogma feminista – vestimentas não passam mensagens sexuais.

Esse dogma não resiste a poucas linhas de análise. Vestimentas passam mensagens.

No meu trabalho, os homens trabalham de camisa de manga curta. Quando aparece alguém de paletó e gravata, sempre se pergunta – onde vai ser a reunião?

Pois o paletó indica formalidade, o que acontece quando há reuniões com autoridades de outras empresas.

Ou seja, o paletó passa uma mensagem – de seriedade, de negociação – significa: “eu dou valor à sua empresa, tanto que me vesti formalmente para falar com vocês”.

Alguma moça vai para um velório com um vestido vermelho curto?

Não. Se ela tem o mínimo traquejo social, ela vai com cores sóbrias e vestido discreto. Isso passa uma mensagem de respeito à família enlutada: “eu respeito a dor de vocês”.

Está portanto desmontado o dogma feminista: roupas passam mensagens, sim.

3º) A roupa em questão passa uma mensagem sexual. A prova disso é que foi vestida por uma moça que precisa aparecer na mídia, e por sua beleza (não estou julgando isso – mas é verdade).

Juntemos agora os dois pontos acima: há um casal. Há um compromisso. Esse compromisso, na nossa cultura, geralmente inclui algum tipo de exclusividade sexual. Mesmo os adolescentes que só se beijam, ao namorarem, param de beijar outros.

Essa roupa passa uma mensagem sexual, e a moça está dentro de um casal, que sempre inclui algum tipo de exclusividade sexual.

Conclusão: a moça, para usar uma roupa dessas, tem de buscar sim a concordância de seu namorado ou companheiro.

Do mesmo modo ele, ao chamar uma velha namorada para jantar, deve buscar sim a concordância de sua namorada.

Alguém não quer perder nada de sua liberdade? A sua liberdade é mais importante que o relacionamento?

A solução é simples: é só abrir mão do relacionamento.



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