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domingo, 13 de março de 2016

As Mulheres da Minha Vida

Balsemão desprezou o 
conselho  da sua mãe, de se 
tornar empreiteiro 
sem nem saber o
lugar da obra
Depois do tonitruante sucesso da Operação Thutmosis VII, sobre a máfia das compras de múmias de segunda mão, e da Operação Saco de Gatos, nas quais um grupo prometia realizar taxidermias a preços superfaturados, eu o Detetive Artemidoro Balsemão vi-me guindado aos píncaros da glória nacional e planetária. Isso malgrado minha natural modéstia, provada pelas melancias que carrego no pescoço e que usaria como brinco, não fosse eu homem de formação conservadora, nascido na saudosa Santa Rita do Jucurutuca, terra tradicional, em que os homens cozinham e pintam as unhas e as mulheres trabalham na roça, ou coisa parecida.

Nisso vi-me afogado de pedidos de casamento, noivado, e até beijos na boca (Não, Angelina, por favor, eu já disse que não ligasse tanto; e você, Giselle, não se separe de seu marido - o coitado te ama). Mas a verdade [verdade essa que causará uma onda de baixas de pressão e ansiedade] é que o coração deste velho detetive já está ocupado por várias:

Cacilda Regielena nas horas vagas
escreve sobre decoração interior de motéis
Viscondessa Aristotélia de Balsemão – minha augusta genitora foi a primeira mulher da minha vida, desde o tempo em que me fazia subir em suas costas e aliviar as jabuticabeiras do vizinho do seu excesso de carga, dizendo ser uma ecologista;

Cacilda Regielena – minha nobre secretária com sua voz de LP rachado e sua paixão sufocada por este veterano detetive espera sempre seu verdadeiro amor – e nisso já teve 47 namorados, já descontada a inflação;

Retrato da doce Mulher-Gato
 quando zangada
 Mulher-Gato – ela me azunhava, rasgava minha pele, deixava-me com marcas vermelhas. Abandonou-me no dia em que sua manicure por engano lhe cortou as unhas. Disse que me ligaria no dia seguinte, e, enquanto espero, faço umas operaçõezinhas contra a corrupção, etc. Tudo pelo amor.



  • Artemidoro Balsemão saiu valentemente às ruas para defender o Imperador Dom Pedro II em 1964 – até perceber que estava lendo jornais atrasados.

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