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domingo, 30 de novembro de 2014

099 - O Maluco Belo

O Maluco Belo dizia para termos coragem. [Dizia também para termos coerência entre querer, pensar e fazer – embora coerência fosse o que não se encontrava entre suas belas palavras e roupas malamanhadas]. Um Ensaio sem título específico e sem indicação de autor, com capa vermelho-esmaecida e uma menção a Toulouse, 1914, imortalizou [palavra que ele mesmo rejeitaria] Raullón, cognominado [sem muita razão efetiva] O Maluco.

Sabe-se que há um registro [razoavelmente seguro] dele no ano 1323; que aparecia sempre pelos fins de manhã na feira em volta do Caminho do Touro; que tinha por volta de cinquenta anos [sendo que os testemunhos de que tinha A Idade das Pedras foram (não sem razão) considerados por demais poéticos; e que quando vinha as possíveis nuvens de tempestade se dissipavam [o que também tem sido posto em dúvida]. Falava [não pregava] como quem brincava com bolinhas de sabão.

As [inevitáveis] interpretações o compararam a uma Maria de sexo trocado, sempre disposta a sacrificar-se pelo mais insignificante ser; [esperáveis] semi-detratores afirmavam que sua vida consistiu numa hercúlea batalha contra um desejo que o roía, aquele da desgraça alheia.

Infensa a interpretações extremistas, a verdade pode afirmar que o Maluco Belo, pregador medieval do Sul da atual França, não se inspirava por excesso de bem ou de seu oposto, mas por um sendo de expectativa – do que vai acontecer, sendo este comum a todos os humanos. Tal explicação [óbvio] também tem seus contestadores.

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