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quarta-feira, 26 de novembro de 2014

096 - O frio fim do Reino de Khazyr

Tal título [que poderia ser o de um romance de qualidade não exatamente excessiva] marca um fato [suposta e (segundo os detratores) mitologicamente] real: a destruição do Reino de Khazyr, em algum lugar entre o Mar Cáspio e o lago Balkash, lá pelo ano 300 ou 500 d.C. [Uma única menção no terceiro capítulo do Colapso de Jared Diamond não é suficiente para calar os que acreditam na inexistência de tal país].

Pescadores de salmão, os khazirianos cochilavam longos períodos do dia, seus sábios eram tão velhos que pareciam viver depois do seu próprio tempo de vida, suas divindades mais vis e mais louvadas eram femininas [com os homens a ficar com a mediania] e um vento plácido percorria suas terras.

Inevitavelmente desprezaram os alertas de que pescavam demais, dormiam demais e usavam demais as plantas para fazer suas tendas. A brisa se tornou ventania [tão lentamente que poucos notaram]. E mais que isso, gelou. Os alertas de que o frio espantariam os peixes foram ridicularizados.

Depois de seu desaparecimento [esperavelmente] sobraram explicações. Os Khazyr teriam sofrido por seu excesso de generosidade – mesmo sabendo que pescavam demais, queria ver todos comendo muito e felizes. Marias em forma de povo, pensavam no outro, não em si.

Outra razão [menos honrosa] aponta para a indiferença – sabiam que corriam ao fundo, mas [conscientemente] não ligavam. Por sua semelhança com situações posteriores, tal explicação não bate recordes de popularidade.

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