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sábado, 22 de novembro de 2014

093 - Amhitar perde o bonde

Amhitar perde o bonde da história [de fato, quase todos os países o perdem]. Terra imaginária da Ásia Central [ou de um realismo maior que muitas nações] sua [pretensa] história é contada em sete, setecentos ou doze mil ensaios de capa verde [os números sempre variam]. As [surpreendentemente] poucas especulações sobre sua localização temporal consideram mais adequado situá-la depois do tempo.

Sobre o caráter nacional, pouco a dizer – o sol lancinante [que causa alucinações contumazes aos cidadãos, embora por pequenos períodos] leva o país a uma espécie de velhice prematura dos povos [uma frase não destituída de dramaticidade – digna de uma Antígona coletiva e sem charme, coisa da qual Amhitar tem sido acusada].

Interpretações [não isentas de crítica] consideram a existência concreta do país não como amontoado de terra, gente, proprietários e batalhas - mas como personificação coletiva [considerando-se que tal exista] de uma inveja que os povos têm das realizações uns dos outros; uma indignação por não cumprir suas próprias potencialidades e um consequente desejo que outros também não consigam fazer o que podem – uma vontade, se não nacional, muito humana.

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