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quarta-feira, 19 de novembro de 2014

092 - Deus Chorão

Os deuses [dizem] não choram [embora certa divindade do Oriente Médio tenha vertido improváveis lágrimas de sangue]. Certo deus [no entanto] não chorava. Dele [de maneira pouco verossímil] consta uma fotografia [previsivelmente com defeitos químicos que pouco nela permitem distinguir]. De fato nada, exceto uma mancha [cujos toques futuristas parecem coloca-la fora do tempo] , mas cuja imprecisão lembra um ser sem forma, algum filhote antes de nascer.

De fato ao Deus Chorão [assim ficou conhecido] [ou a sua imagem] se atribui a propriedade de deixar alguns contempladores em mudo êxtase por um curto período. [Versões dizem que isso se deve a sugeridas nuvens de tempestade nas bordas da imagem, mas tal hipótese conta com escassos entusiastas]. O mesmo pouco sucesso persegue a ideia detratora de que certo sorriso [muito mais adivinhado que percebido] trai um desejo de que o outro sempre se dê mal. Já os apologistas pensam ver o mesmo repuxar labial, e nele percebem uma generosidade talvez exagerada sobre as mazelas do mundo.

Maria lacrimosa mas sem filho perseguido pelos Romanos, a [pouco provável] divindade parece representar o [muito humano] receio. De tudo. Daí sua imagem borrada e suas caretas que talvez sequer existam.

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