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sexta-feira, 14 de novembro de 2014

091 - Complainers complain

A seita dos Complainers nunca existiu. [De fato, nem mesmo a sua entrada na segunda edição do ensaio A Enciclopédia das Heresias e dos Heréticos do professor Chas S. Clifton (Barnes & Noble, Nova Iorque, 1998, p. 32) garantiu a sua saída das listas dos mitos da heresiologia elaboradas pelos céticos].

Não tinham nome [de fato, seu bizarro título se deve (obviamente) a scholars de língua inglesa]. Os Complainers [como diz o óbvio nome] reclamavam. Do Espírito Santo, da inexistência do mesmo; da indiferença de Deus, de Ele se meter demais no mundo; do excesso de sofrimento ou de sua falta para uma possível redenção.

Nunca se localizou com precisão sua época [alguns imaginativos os localizam no futuro]; vestiam túnicas de uma desbotada cor salmão e, previsivelmente, só se reuniam à noite [considerada por eles o tempo mais melancólico do dia] embora nem sempre [é claro] ocorressem as tempestades que tanto prezavam.

Não tinham idade avançada [de fato, são injustas as invectivas que associam suas queixas à velhice]. Os Complainers [na verdade] viciaram-se em uma crítica eterna ao outro [podendo ser esse outro o próprio Universo, ou Deus, ou o vizinho da esquina]. Cristos sem sacrifício, seu único pecado parecia ser [dizem os críticos] certa luxúria do sofrimento, como se o fossem eles as Vítimas Primordiais [o que quer que isso significasse]. Menos apontado é certo sentimento de culpa que [segundo poucos] pareciam ter por não aceitarem o Tudo como é.

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