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quarta-feira, 12 de novembro de 2014

090 - Napoleão sem Waterloo

Napoleão [dizem] não acabou em Waterloo. [Na verdade acabou em Santa Helena, e um grupo radical diz que não acabou mesmo]. Romance sem amor [embora com cenas dignas da velha Boca do Lixo] a napoleônica vida teve tudo em abundância [exceto solidariedade para com o próximo, dizem os eternos opositores]. O próprio Napoleão semelhava um protagonista de enredo longe da perfeição: na casa dos quarenta, obcecado pela sua fama futura, considerando-se [não sem inverossimilhança] sacrificado como Cristo e eternamente invejoso do Imperador Carlos Magno, parecia um ser isento de qualquer sentimento de culpa [embora certos testemunhos sinalizem que tal não seja inteiramente verdade].

Esse Napoleão [que dizem que sobreviveu à ilhota no meio do Atlântico] aparece sempre [nos poucos retratos a respeito] sempre em um [pouco saudável] tom amarelo, parecendo divagar fora do tempo [e parecendo fazê-lo sempre por longo período], com uma paisagem [um tanto pueril] de nuvens pesadas por trás ao horizonte.

O baixinho [chamemo-lo assim] não temia os ingleses, ou russos, ou o punhal de algum solitário conspirador: temia o que poderia ter sido, pois, se o fosse, não teria as mordomias das quais gozava [isso, é claro, segundo os inimigos, que não perdiam ocasiões de mostrá-lo sempre desprezível].

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