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quarta-feira, 24 de setembro de 2014

082 - Napoleônico idiota

Napoleão [o idiota] pensava [como todo idiota] em coisas idiotas. Uma delas: ele era um herói, mais ou menos o último dos Sete Contra Tebas. No Futuro, lembrar-se-iam dele: em pintura com um ridículo chapéu de dois cornos tingido de verde, em arrabaldes cobertos de uma neve pouco verossímil.

Napoleão [idiotamente] acreditava-se desde antes do nascimento destinado a feitos grandes. Ou não: sonhava por tempo indefinido [mas sempre muito] – e não o movia a sede de eternidade mas uma confusa papa de pedaços de desejo da desgraça alheia, gula de sensações e terror da morte [da própria, dito] – como [de qualquer forma] ocorre com todos os homens.

O Tempo [os Tempos, mais idiota que qualquer um] construíram Napoleão. Ou o jogaram em um carrossel de sangue em que todos os sonhos que não teve foram cumpridos. Casou com uma loura [uma adolescente princesa austríaca]; reis o bajularam [e ele acabou por se crer um deles]; muita gente findou sua vida para que fosse grande [e ele sequer o foi].

Grande foi Tolstoi – o autor de Guerra e Paz chamou Napoleão Bonaparte pelo único adjetivo que lhe convinha – o de idiota.


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