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segunda-feira, 22 de setembro de 2014

081 - Os diabos perseguem Oswald Spengler

No dia em que rejeitaram sua Tese de Doutorado, três espíritos [dizem] visitaram Oswald Spengler [era 1903 mas a ventania da noite de Munique lembrava algum lugar indefinido, como se o próprio tempo houvesse cansado de existir]. O primeiro deles era seu irmão [morto de um parto prematuro pois sua mãe fora pegar uma cesta de roupas pesada demais]. O segundo [banalmente] ajuntava os temores típicos de um garoto de 23 anos: ser sem parceira, sem emprego, sem amigos.

O terceiro tinha cara lisa [Oswald não lembra que tivesse sobrancelhas] e sua falta de expressão assustava e dava conforto. Acendeu nove velas [algo surpreendente em um pesadelo] e apagou uma. O jovem acordou.

Olhou o relógio. Tudo acontecera em menos de um minuto. O rapaz foi à sua escrivaninha [que dava para uma janela coalhada de chaminés] e escreveu

Existe alguma lógica na História?

E como sinal da própria resposta interpretou que fora visitado por ela – era o homem sem sobrancelhas. Ele [se pudesse] lhe teria contado [imaginou Spengler] a História do mundo como um conto de fadas sem madrinhas, de um tom azul-fosco, cuja indiferença pelos homens era tanta que tornava abusivo qualquer medo do futuro.

Tirésias sem cegueira, Spengler escreveu as [de resto duvidosas] revelações. Nele, falou das oito civilizações [a 9ª vela seria ele mesmo]. E no seu Der Untergang des Abendlandes [O Vir-abaixo da Terra do Anoitecer] explicou que a História não conhece Ira [nem perdão]. Talvez no máximo alguma desencantadora tristeza.

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