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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

080 - As Marionetes

Daniel Bevilacqua assumiu o pouco emocionante nome de Christophe e estufou corações femininos com sua Aline em 1965 – que lhe valeu três milhões e meio de compactos vendidos e uma coleção de multas de trânsito para sua Ferrari. Não se trata aqui [no entanto] da melosíssima baladinha que lhe deu fama e sim de outra música sua.

A análise de Les Marionettes esbarra em sua acachapante simplicidade. Não há nela circunstâncias de espaço e tempo – tanto que alguns críticos [não sem algum exagero] a situam no futuro e detalham a cor das bonecas, o salmão.

De fato a cançoneta sofre de inevitáveis tom adolescente e de um clima de eterna claridão, tipo meio-de-tarde. Relata o cantor que construiu um grupo de marionetes. Pulularam as hipóteses de metáfora: seriam na verdade um grupo político; para outros [e inevitavelmente] uma reunião satânica. A explicação mais popular [porém] foi a mais óbvia: relataria uma reunião de um só rapaz, rico e saudável, com um grupo de jovens moças, reunião esta onde as roupas não seriam muito presentes.

Desta explicação [pouco menos que fantasiosa] vieram interpretações ainda mais: a letra mostraria um desejo e repulsa à mulher, enfatizado pela ventania lá fora; as moças [até então inocentes como Maria] receberiam as dádivas de hipergenerosidade do cantor [sem que se explicasse muito bem quais seriam]; e que perpassa a canção um receio do futuro.

Indiferente aos críticos, o cantor brincava com suas supostas marionetes e acelerava, agora um Porsche.

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