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segunda-feira, 15 de setembro de 2014

079 - Indeciso, guerreiro

A morte caiu-se de amores por Erich Maria Remarque assim que viu pela primeira vez em 1916 quando ele tinha apenas seus dezoito. Apaixonada por ele, queria chamá-lo para si – e que ele passasse a eternidade junto dela.

Para tanto cobriu-o de obuses, arames e gás [era o tempo em que ele soldado, corria a chamada Primeira Guerra Mundial]. Cortejou-o com fotografias de trincheiras [sempre tingidas de um azul-azia]. Pouco propensa à fidelidade, partilhou seu chamado com outros, milhões – todos jovens, hipergenerosos, Cristos involuntários a que um par de bombardeios já rendia indiferentes. O tempo que viviam [se é que tal verbo tem cabimento] parecia fundir as horas [de feridas, lama e pus], em uma tempestade na qual o medo mais óbvio da morte cedia a lembranças de um passado e um outro temor, aquele do que poderia ter sido.

Erich Maria Remarque não cedeu a seus encantos, e [sem que soubesse em exato como] punha sempre o pé onde não havia uma mina, a cabeça sempre a um par de centímetros da trajetória da bala.
Para expiar seu caso de amor não consumado escreveu o Nada de Novo na Frente Ocidental e vendeu um milhão de exemplares.

Casou-se com Paulette Godard [Paulette e as melhores pernas de Hollywood] e foi morar em uma mansão.

Sua antiga amante vinha atormentá-lo em pesadelos à noite.

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