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domingo, 14 de setembro de 2014

078 - Em Alexandria, detetive

Não há um só detetive aqui, mas, se houvesse, seria eu. Eu, Angus [entre os muitos nomes que tive, eu o escolhi]. [Alexandria, ano 414, o porto do trigo de um Romano Império Decadente].

[Três bairros a fatiar a urbe – o pagão, o judeu, o cristão – pedaços de tabernas, proxenetas, matadores de aluguel, mulheres de má vida e eu – o último ou único bastião de uma honra na qual de resto ninguém acredita – eu tampouco]. Cidade amarela [óbvio resultado do sol lancinante – que mistura as horas que parecem passar mui rápido].

Procuro pessoas e coisas [eu]. A pedido de pais, mães aflitas, maridos corneados, donas de colares de madrepérola, agenciadores de partidas de trigo. Geralmente encontro [nos braços de outro, de outros, nos armazéns e arcas de gente por demais importante para ser tocada]. Minha vida [dizem] poderia ser um romance. Sem graça [digo eu] para o protagonista.

Ingênuo como antes do nascer, não creio na virtude – mas a faço, até por falta de outro hábito. Compararam-me [pela teimosia] a Zeus e [pela paciência em levar pancadas] a Maria. Não sou nem um nem. O vício de Criticar o Mundo se metamorfoseia [mui rápido] em Indignação, depois Ira.

Percorro um mundo que não interessa e não que dele não falo parte. Levo pancadas, ganho algumas moedas [não muitas] e levo um ou outro rufião ás galés. Quanto ao resto, o vento leva.

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