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sábado, 13 de setembro de 2014

077 - Excessivamente Mulher-gato

A coletânea Sete Ensaios sobre a Catwoman nunca foi escrita. [Sete, tantos quanto as vidas dos felinos]. Compreensível, em se tratando de um país com gente em excesso, tecnologia em falta, cultura ralamente divulgada e [para dizer a verdade] pouco existente. Tal pecado [a falta de estudos sobre a mulher de negro, para a qual parece sempre uma noite de nuvens pesadas] não invade [no entanto] somente essa triste pátria tropical.

A Mulher-gato atormenta seu antagonista [e de certa forma cúmplice] Homem-morcego, o Batman. Independe [porém] do desajeitado herói e de seu [quase] onipresente pupilo Robin. Vênus de collant justíssimo por uma pouco provável Gotham City do futuro, a jovem mulher ronroneia em torno do seu inimigo – talvez menos como esforço de sedução e mais como a preguiça coleante de todo parente do Tigre.

Os olhares [por pouco tempo é verdade] se voltam em curiosidade nada menos que cômica para o seu parceiro de perseguições e pancadas Batman – divertindo-se a vê-lo flutuar entre o desejo e repulsa à jovem quase-felina [esta com uma surpresa (meio adolescente e totalmente ingênua) de ver o quanto consegue seduzir] sendo questão aberta se o deseja ou não.

A frase Se fui virgem algum dia não me lembro não deixou de lhe ser atribuída [talvez não com inteira justiça]. Sua fonte [no entanto] é clara: a excessiva feminilidade da jovem, suas sobrancelhas docemente eriçadas e as curvas que cada passo parece acentuar – ou sua felinidade, o que acaba por resultar no mesmo.

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