.

.

segunda-feira, 1 de setembro de 2014

075 - Nabucodonosor das batalhas

Nabucodonosor lutou trinta e três batalhas. [Nabucodonosor (dizem) não lutou nenhuma]. O babilônico Imperador [célebre pelos jardins suspensos, os quais (na verdade) não existiam] gostava de ver suas sangrentas obras bélicas como pinturas – como monótonas pinturas mesopotâmicas, todas com uma irritante tonalidade amarelada, em meio à frouxa neve, e sempre à noite – e os gritos dos feridos não o incomodavam.

A Nabucodonosor [nos seus sólidos cinquentas] movia-o não só um óbvio desejo de violência mas uma certa hiperpureza, uma quase ingenuidade de considerar que, como rei, tinha o direito de fazer guerras e os outros tinham de gostar], assim como uma surpresa quando os homens gemiam com os ferimentos e as viúvas choravam. Como Édipo, Nabucodonosor não era muito bom [assim sua tragédia seria odiosa, segundo Aristóteles] nem muito mau [que faria o público vibrar pela sua desgraça, também segundo o primeiro teórico da literatura].

Só que [contrariamente ao cego incestuoso de Sófocles] Nabucodonosor não sofreu tragédia  -exceto a de sua existência duvidosa – a qual (segundo dizem) consiste na pior das tragédias.

Nenhum comentário:

Postar um comentário