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quinta-feira, 21 de agosto de 2014

068 - Nunca te amei, Mulher-Morcego

Nunca me gustó la Batgirl não se tratava [supreendentemente] de um seriado. [Sua reputação no Brasil não melhorou com a edição saída em Pelotas sob o (mal traduzido) título de Nunca te amei, Mulher-Morcego]. De fato, o original espanhol [de autoria anônima publicado em Barranquilla em janeiro de 1961] não veio inspirado pela série de TV [que de fato só estrearia cinco anos depois] mas o contrário: o roteiro de cinema não produzido [pois era disso que se tratava] teria inspirado os episódios que popularizaram a frase Santa Conspiração, Batman!  e outras congêneres.

A heroína do roteiro fracassado e a da popular série em muito se assemelham. A mulher disfarçada de morcego veste [em ambos] um vestido emborrachado negro com inevitáveis detalhes rosa; seu corpo quase de adolescente brilha em lutas coreografadas em ambientes claros – de fato, quando está presente parece sempre meio da tarde com o previsível sol a cume. Antígona da pancadaria [com uma quase luxúria dos knock-outs] a jovem enfrenta sozinha a bandidos tanto inventivos quanto maus.

O autor do roteiro a fez anódina – sensual às avessas. Um caminho óbvio seria fazer dela uma Mulher-gato [esta, hiperfêmea]. Não tomou esta saída. A Batgirl do roteiro vive uma expectativa [quase infantil] de um futuro que ela não controla – o que sugere que lhe perpassa [apesar da valentia] um temor do que poderia ter sido – ter sido atraente e fatal [no caso]. Trata-se [no entanto] de suposição, sujeira às idiossincrasias de quem a vê.

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