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sábado, 16 de agosto de 2014

065 - Os três capitães, ou só um

Thomas Edward Lawrence mencionou certo William Shakespear, capitão como ele, intelectual e [porque não dizer] brilhante como ele, e que morreu precocemente em batalha. Esta passagem do início dos Sete Pilares da Sabedoria não chamou a atenção de muitos exceto de John MacKinnock O´Leary, capitão como eles, encarregado de coligir a história do Irish Constabulary, no dia 13 de maio de 1935.

Nem MacKinnock daria importância, se não soubesse pelos jornais que no momento em que lia esta nota nos arquivos da Biblioteca de Dublin, Thomas Edward partia o crânio em queda de moto.

A maior parte das pessoas veria isso como coincidência, e assim o fez MacKinnock, durante enigmáticos 99 dias. No centésimo acordou convencido de que ele, Edward e Shakespear, os três capitães, eram um só, no sentido de que o mero acaso faria com que um morresse, outro vivesse e o terceiro voltasse ao passado.

O objeto de sua pesquisa pareceu lhe dar razão. Shakespear [como Lawrence, como de certa forma o próprio MacKinnock] aspiravam a escrever um grande romance [Lawrence o fez]; sua cor era o vermelho; e apreciavam os começos de manhã de sol lancinante. Atormentava-os a hiper-generosidade e o desejo de violência do Sete Contra Tebas; tinham o terror de não deixar nenhum legado no mundo; sua cor favorita era o vermelho; e as [poucas] namoradas os acusavam de eternos adolescentes.

MacKinnock passou o resto da vida a se imaginar como seria, se fosse brilhante como seus brilhantes duplos.

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