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terça-feira, 12 de agosto de 2014

061 - A Tentação do Poeta

Dante Alighieri atravessou o Mundo na madrugada do Sábado de Aleluia do ano 1300 e o vento zero [assim como uma alvura excessiva] trouxeram algumas pontadas de decepção. Emergira de um buraco [viera do centro do Planeta] em um começo de manhã com a inevitável companhia de seu guru Virgílio.

Meava os trinta anos, e sua poesia [então] pouco ultrapassava o sofrível. Certa gula de conhecimento [assim como uma mal disfarçada autopiedade] o levaram a querer conhecer as regiões eternas. Orou para tanto [uma oração um tanto falsa] pois na verdade queria conhecer apenas o Inferno, com o Purgatório e o Paraíso entrando de lambuja. Inicialmente a Maria. Depois, temeroso de que esta percebesse suas intenções não tão puras, lembrou-se de sua antiga [e havia muito falecida] namoradinha Beatriz. [Para desespero dos poetas românticos, ele não passara toda sua vida a recordá-la]. Beatriz [por alguma celestial razão] recusou o cargo de guia.

A sexta-feira passou-a ele nas infernais regiões. O sol do sábado de manhã encontrou-o no Purgatório, recém-saído de um buraco, em frente à montanha que deveria ser escalada pelos pecadores, decepcionado com a falta de vento e a luz forte que tudo chapava.

E [diz a lenda, que deve ser apenas lenda] Dante Alighieri tomou-se de modéstia [ou preguiça] de subir aquilo tudo para chegar ao Paraíso. Pensou numa taberna, dois tragos de vinho, talvez com Virgílio, ou com ninguém.

O medo do seu mestre [ou de Beatriz] o fez prosseguir e todos sabem o resto da história.

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