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quinta-feira, 7 de agosto de 2014

058 - Alionor, topless em Antioquia

E Alionor da Aquitânia entrou na cidade de Antioquia! [Hoje: 17 de fevereiro de 1148]. A Rainha da França adentrou os muros derrubados da urbe vencida [os bicos rosados a acusar o menor movimento, assim como os das doze aias que lhe faziam cortejo]. Prostrou-se diante da igreja siríaca [a mais bela homenagem jamais feita à fé – escreveu um seu (talvez excessivamente entusiasmado) admirador e poeta, dos muitos que voejavam em torno dela]. Os detalhes rosa de seu vestido [que só principiava na altura do umbigo], as nuvens esfiapadas que bordejavam aquelas dez horas da manhã, o cabelo de tranças em volta da cabeça em imitação a Vênus em madura juventude – tudo [somado ao busto das jovens] parecia conspirar para fazer daquele um momento de auge da Cruzada.

Naturalmente, críticas não faltaram: buscava a fama; o orgulho feminino lhe subira à cabeça; só o receio dos soldados [que alinhavam-se no seu caminho] os impedira de dirigir-se a ela com expressões mais apropriadas a uma rameira.

Tais considerações [ou sinais de inveja] não deixaram de ter sua razão. Talvez [dizem] porque os críticos [com os olhos grudados aos seios] esqueceram de vislumbrar-lhe o rosto: esfuziada pela vitória da verdadeira fé – Alionor pensava não em si, mas na cidade [a cidade que agora iria civilizar] e para ela [a cidade] entregava-se inteira, sem reservas, sem medo de sacrifícios, e [quase] sem roupas, em êxtase que poucos vieram a perceber.

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