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sexta-feira, 1 de agosto de 2014

054 - Moisés, não sou

Aquele que em dialeto samoiedo-euxino se chama Kmhortithdsion [e que foi (pessimamente) traduzido como Malasher, Moishier ou Moisés] viveu [dizem invariavelmente] há muito tempo. [É claro que que a precisa definição sempre falta – as últimas correntes radicalizam e dizem que tal expressão significa Antes do Tempo].

Estranhíssima história de fada, a vida desse mítico Moisés tem uma relação de diferenças e semelhanças para com o hebreu. As parecenças são óbvias: esse antigo líder de certo povo do Ponto Euxino [pois ele alegadamente o era] é sempre representado com uma túnica [embora de listras negras e salmão]; sempre aparece em esperável crepúsculo sob convenientes nuvens de tempestade; com uma barba grisalha de no mínimo dois palmos; e com um semblante de ira contra um certo inimigo [que, ao contrário dos egípcios do outro Moisés, nunca se soube bem quem era].

As diferenças, no entanto, sempre sobressaem: o Moisés caucásico nunca se pretendeu precursor de Cristo nenhum; seu semblante [embora pretendesse infundir terror] inspirava [quando muito] piedade; e o desajeitamento com o qual aparece nas [poucas] gravuras sobreviventes mostra que, por trás de um cenho de eterna crítica ao outro, transparece um sentimento de quase piedade por si e por todos os seres do universo [o que se torna irrelevante se esse Moisés (como é bem provável) nunca tenha existido].

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