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domingo, 27 de julho de 2014

050 - A História em começo

As Histórias sem fim abundam pelo Universo [de fato, os filmes e revistas de cores as popularizaram]. Das histórias sem começo [por outro lado] pouco se fala. Uma delas [constante em certa tradução das 1001 Noites, de Burton (e que depois se descobriu falsa)] refere-se [sem surpresa] a um Mundo [ou melhor, um Tudo] completamente branco, antes do tempo. [Como seria de esperar] A história [a qual tem sete nomes, uma forma delicada de dizer que não tem nenhum] começa sem começo – na verdade no seu meio: uma menina caminha fora de casa antes do sol nascer [uma situação assustadora típica dos contos de fada]. Uma [esperabilíssima] neblina a envolve – uma maneira mais que óbvia de representar o medo do futuro.

A menina inocente [e todas as meninas inocentes (de outra ou uma forma) seguem o arquétipo de Maria] caminha, e caminha – encontra pescadoras, moleiros e até uma fada - sem que nenhum deles lhe represente uma real surpresa. [De fato, o único momento mais chocante ocorre quando uma preguiça sem dentes lhe adverte dos perigos da Gula (admoestação no mínimo curiosa já que a garota, em toda a história, não põe nada na boca)]. O enredo [obviamente] apenas cessa, sem fecho.

Críticos afirmam ser tal história uma metáfora da vida e sua eterna continuidade desprovida de sentido. Críticos dos críticos afirmam que tal interpretação apenas nobilita uma lendazinha boba.

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