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quarta-feira, 23 de julho de 2014

047 - Vênus-ianas

Cleópatra [dizem] não era essas coisas todas. Nem mesmo Messalina, Lucrécia Bórgia ou Afrodite [esta atrapalhada pelo fato de ser mitológica]. Os videntes e os moralistas [duas categorias que não se destacam por sua credibilidade] afirmam que todas as devassas do mundo se inspiraram em uma só – um ser diafanamente construído antes do tempo [sendo isso quase todo o pouco que dele se sabe].

Um profeta [sapiente ou maluco] jura ter visto a gula em forma de pintura [uma estranha pintura com detalhes em inevitável cor-de-rosa]: gula pois a devassidão não passa de uma forma excessiva de devorar sensações. Tal obra de arte [da qual (convenientemente) não sobraram vestígios] mostra uma mulher atraente mas de idade indefinida [alguns (com algum drama) afirmaram que ela contém no semblante os encantos de todas as idades]. Em um banal fim-de-manhã, entre [previsíveis] nuvens de tempestade, a mulher mostra certo ceticismo – para a maioria, desencanto.

O que desencadeou as costumeiríssimas críticas: este só poderia ser o fruto do Império das Paixões – o vazio [o que quer que seja isso] e o retorno a... e neste ponto as opiniões se dividem, desde Zeus a Vishnu.

Uma interpretação mais cínica [e talvez mais consistente com o sucesso histórico das ilustras damas mencionadas] seria que o semblante representa só o nada – ou então uma reflexão sobre como continuar a busca pelos prazeres desmedidos – explicação esta que pouco sucesso obteve.

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