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segunda-feira, 21 de julho de 2014

045 - O Terceiro Sonho

Asoka [o rei] apenas no seu Terceiro Sonho viu o Templo. [Dos dois primeiros não ficou registro]. Asoka sabia que havia órfãos e que havia viúvas. Decidiu [no entanto] rapar os cofres nacionais em um misto de Templo e Palácio – feito não para causar inveja aos deuses mas para deixá-los fulos de raiva [com o desperdício, dizem os eternos críticos].

Para evitar revoltas camponesas e punhais palacianos, o preclaro rei dourou a narrativa: segundo ele, no sonho real um deus [convenientemente semelhante ao próprio Asoka na sua barba e nos seus cinquenta anos] dançava [como todo bom ser mitológico do subcontinente indiano]. Mas não só: um tom laranja [não isento de estranheza] perpassava a atmosfera, impulsionada esta por um vendaval que fazia o tempo contrair-se e distender-se como os próprios movimentos do tal deus.

Procurando a serenidade [tal como seu contemporâneo Buda] Asoka pensou que [para compensar aquela dança sem medida] deveria utilizar todo o ouro e todo o bálsamo do reino para construir um Templo para si mesmo [e para os alegres empreiteiros da sua Corte]. A Indignação dos súditos [acreditava ele] seria silenciada pelo caráter divino da ideia].

Asoka não chegou a ver o templo concluído [morreu antes e o templo restou inconcluso, embora alguns cortesões tenham quedado ainda mais ricos]. Há quem creia [sem nenhuma base] que tal templo tenha inspirado o Taj Mahal. Mas isso [de novo] pode ser só consolo para o desperdício.

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