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sábado, 19 de julho de 2014

043 - Detestáveis Amores

Las inolvidables passiones de Bertha apareceu em uma pequena livraria na Catalunha no terceiro dia do ano de 1901 e em poucos meses multiplicou sete edições em cinco línguas. Um miserável panfleto caluniador, tal [pretenso] romance objetivava destruir a reputação da militante pacifista Bertha Suttner [já então uma sólida senhora dos seus cinquenta] apresentando supostos casos de desvario orgiástico dos seus tempos de jovem.

Procurava atingir tanto a idealista Bertha como seu amor de juventude [amor esse que, pelas melhores narrativas, permaneceu platônico]. O inventor sueco Alfred Nobel [dizem] sempre [ao pensar em Bertha] a via em uma eterna noite, vestida de branco, sob um céu de nuvens fracas. Procurava uma secretária multilíngue: veio a garota de rosto de uma Antígona sem dramas.

Segundo a narrativa normal o [agora rico] ex-inventor usou a jovem como expiação de seu sentimento de culpa por que a engenhoca de sua criação [a dinamite] era usada tanto para escavar minas de estanho como para matar pessoas. Segundo o difamador folheto, o industrial dividia a jovem com muitos outros amores, nenhum deles espiritual, e todos placidamente supervisionados pelo marido, o tal von Suttner.

Que os generais acreditassem em tal bobajada, era compreensível. O que espanta é que pessoas comuns também o fizeram. Uma hipótese [talvez por demais filosófica] é que, ao serem contra a campanha pela paz, tinham medo do que poderia ser um mundo sem guerra. Um temor [por sinal] demasiado humano.

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