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quinta-feira, 17 de julho de 2014

042 - A cabra de Tebas

Uma Cabra invadiu Tebas – Tebas, a metrópole de Édipo, já vira muita coisa estranha – mas não essa. O bicho [dizem testemunhas] era absolutamente normal, com sua barbicha e seu gosto por capim alto [o que não é pouco em uma vila que (pelo menos nas peças de Eurípedes) sofria de uma intervenção do Olimpo por cada tijolo].

Veio em um ensolarado começo de manhã [e a banalidade de suas circunstâncias (inevitavelmente) deu azo a especulações de magia]. Suas patas [é vero] tinham uma [pouco usual] cor violeta [que podiam indicar tanto uma preferência de Zeus, como que um conhecido folgazão da cidade as tinha pintado, de brincadeira].

Mais que o bicho, importam suas interpretações [mencionadas no Segundo Livro (Euterpe) da História de Heródoto, embora o mesmo devesse tratar só dos Persas]: a sua cara soberba [de resto típica da sua espécie] foi interpretada como indiferença ao destino humano – particularmente àquele dos pobres. Outra visão [obviamente vinda dos que conheceriam o patriarca Édipo] afirma que o animal [que viveria muitos anos] representa [na verdade] os percalços e a sabedoria da idade avançada [tese no mínimo curiosa, tendo em vista a fisionomia pouco sábia da espécie caprina]. Outra considerava que o animal autocentrado e distante de tudo simbolizava a conhecida falha humana da avareza.

A tese de que o bicho escapou das montanhas e só queria comida fácil foi descartada como excessivamente sem graça [o que não deixa de conter sua parcela de verdade].

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