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terça-feira, 15 de julho de 2014

040 - História de dois países

Certa brochura [publicada na gráfica Le Jeune Cordelier em 1791 ou 1792] falava de duas nações amplamente imaginárias.

Segundo três testemunhas [não de muita credibilidade] que o tiveram em mãos, Le deux pays Merveilleux [é esse o tolo título] principiava com uma faixa na primeira página [Azul como a Liberdade, uma linha se apressava a dizer]; descrevia a história de um homem [já entrando nos trinta] que [depois de reprimir seu desejo de castigar os poderosos durante as épocas pacíficas que vivera até então] caminha por longo tempo e conhece um país onde se vive mais ou menos, come-se mais ou menos e onde o povo é mais ou menos feliz.

Tanta mediania o enoja e atravessa a fronteira para o país vizinho. Neste [de maneira previsível] as nuvens de tempestade [frequentes todavia] não são só fenômeno meteorológico. Os orgulhosos guerreiros dos Sete contra Tebas são mais que heróis – são exemplo nacional. Apesar do tempo nebuloso, parece ser sempre começo da manhã – o que dá mais tempo de cortar cabeças antiquadas – pois [inevitavelmente] neste país ocorria uma revolução contra um malvado período anterior.

Afirma-se [sem nenhuma base] que tal folheto [obviamente destituído de indicação de autoria] teria como cometedor certo Maximiliano de Robespierre. Uma tese tentadora [se não fora certo tom de culpa pelas cabeças cortadas no tal segundo país]. Mas isso [obviamente] não impede a especulação: A Culpa [diz o folheto] pode conviver com o Dever Revolucionário [o que quer que seja isso].

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