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segunda-feira, 14 de julho de 2014

039 - A mais triste Canção

A Chanson de Craonne não é a mais triste canção da História [ou, se o for, não é a única]. De fato, a arrastada melodia dos soldados franceses após a ofensiva açougueira de 1917 [dizem, embora com poucas provas] se inscreve em rosário de toadas [na verdade lamentos] de quem tem razões de se lamentar [e sua temática cobre desde vencidos em guerras até os derrotados pelo tédio].

De fato, estas canções [que se contam pelo inverossímil número de 999] têm elementos em comum: tratam [quase sempre] de jovens; exaltam uma coragem épica de heróis gregos, tomados de retidão próxima à insensatez; quando relatam episódios, o período [sempre curto] é indefinido; e uma [talvez explicável] calmaria permeia o ambiente. Além disso, nas vezes em que foram transformados em telas, a cor salmão 
invade tudo [sem que se entenda bem o por quê].

Uma crítica [não destituída de pessimismo] afirma serem eternas as canções tristes, até no Futuro [sempre]. Pessimismo claro pelo fato de que [segundo seus adeptos] um desejo de violência invade os jovens [desejo (este) eterno] – o que [diga-se] contraria a letra da Chanson, que revela tudo menos vontade de enfiar espadas. Outra explicação [que tenta racionalizar a sempre existência (e sucesso) das músicas tristes] afirma que a alma humana seria [em si mesma] tristonha, e que [mais ainda] tal tristeza consistiria na verdadeira graça da vida – uma explicação que [de maneira pouco surpreendente] não goza de assim tanta popularidade.

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