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domingo, 13 de julho de 2014

038 - História Universal da Irrelevância

O autor [que de resto quedou desconhecido] não publicou A História Universal da Irrelevância [a qual não era (de fato) um livro, senão uma fotografia]. Uma cópia sua [ainda que contestada] consta em certa coletânea das melhores fotos do ano de Nova Iorque (anuário de 1907) e dizem [ainda que com excesso de poesia] que um infante Henry Cartier-Bresson a elogiou antes dela se incendiar junto com a biblioteca de Louvain.

Nela nada há de excepcional – de fato nela não há nada, o que condiz com o título. Um tom branco leitoso [não pouco irritante] e um ridículo cartaz [mal pintado] Antes da História marcam o tom de banalidade [junto com um relógio que marca seis da manhã, um homem de seus quarenta (idade sem o fôlego da juventude e sem a sabedoria da velhice) e um par de fiapos de nuvens (entre o ensolarado e a tempestade, sem ser nenhum)].

A foto [segundo os pouquíssimos críticos] nada inspira, a não ser sentimentos de autopiedade [o mais infantil dos sentimentos humanos]. Como Édipo, o protagonista [o tal homem de quarenta] parece cego, porém [ao contrário do personagem de Sófocles] não quer ver. Não por nenhum trágico sentimento de Destino mas por preguiça mesmo.

O único mérito da foto [se é que se pode falar em tal] seria [segundo raciocínio longe de unânime] lembrar que a indiferença ou sua faceta mais radical, a desimportância, constituiria a essência do humano. Segundo alguns isso explicaria por que o futebol é tão prezado – mas essa afirmativa [claro] é pouco popular.

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