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sábado, 12 de julho de 2014

037 - Carl quer peleja

Carl von Clausewitz [o pai] por toda sua vida procurou a decisiva batalha. [Procurou-a (forçoso é dizê-lo) nas suas aulas e livros – dos campos mesmo, manteve-se (prudentemente) afastado]. Carl von Clausewitz [o filho – na verdade com uma serviçal] encontrou-a.

E encontrou-a após [não pequena] busca. Carl, o filho [um sujeito dramático que gostava de se vestir sempre com detalhes violeta] via todos os detalhes da vida como um prélio – desde a namoradinha do bairro até a fila para o copo d´água. Isso [previsivelmente] lhe gerou algumas marcas de punhos no rosto, conflitos que enfrentava com a sobranceria [não a mesma força] do deus Thor.

Em certa batalha da guerra franco-prussiana [dizem alguns que Sedan, outros Malmédy], Carl, o filho, achou seu momento. [Já beirava a velhice sem desesperar de que chegaria]: dignamente envolto em neblina [o que aumentava sua desorientação de que horas eram] o tomou da lança [alguns falam em cavalo branco porém tal se pode considerar (não sem alguma razão) como excesso de romantismo] e com [não pequena] exaltação esporeou e jogou-se sobre uma pilha de inimigos.

[Inevitavelmente] nunca foi encontrado. E a batalha [na verdade] já se encontrava ganha antes de seu sacrifício heroico. Quanto ao pai, já se fora havia muito para os anjos ou ao outro lado, e nada viu. Falam [sem surpresa] de que Carl, o filho, carregou à frente com um sorriso – embora até isso seja incerto, pois sua séria euforia engolfava qualquer sentimento. 

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