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sexta-feira, 11 de julho de 2014

036 - O Imperador vê; as mulheres

Salomão nunca partiu um bebê – na verdade partiu sete [embora os registros se tenham compreensivelmente perdido]. Mas esse assunto [um tanto gruesome] é esquecido em favor das concubinas de Sua Majestade.
Não eram seiscentas – de maneira um tanto decepcionante, contavam pelo [banal] número de quarenta. [Não tanto, se forem vistas não como conjunto, mas como uma, depois outra, depois outra, depois (e que o valente Salomão caminhava por uma sólida meia-idade)].

As cerimônias [as quais um despropositado pudor impede de descrever em detalhe] pouco tinham de galantes [ou sua euforia, podemos dizer, era um tanto diversa]. No meio de uma tarde ensolarada [o que (convenhamos) não combina com o que se espera de uma cerimônia do gênero] as garotas [nem todas de formas de sonho, embora algumas o fossem] dançavam [com previsíveis e diáfanos véus rosa].

O Imperador [este era o ritual] deveria manter um semblante de indiferença [e o fazia, embora ninguém tivesse coragem de puni-lo se não cumprisse as normas]. Apolo às avessas, refestelava-se desgraciosamente na cadeira. Depois empreendia seus deveres de concubino [o mesmo olhar] para algumas [não exatamente poucas] das mulheres, em ritual que [alguns garotos que conseguiram vê-lo por buracos em paredes disseram] se caracterizava por certa monta de aborrecimento: a [esperável] falta de medida era [ela mesma] submissa a uma rigorosa medida, como se a luxúria e o tédio [por alguma razão talvez compreensível] caminhassem, mãos dadas.

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