.

.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

035 - Dois em fria noite, mãos nos bolsos

Uma garota chamada Agnethe Thomsen imaginou [e eu imagino de novo] uma história em um lugar qualquer [digamos, a Dinamarca] em qualquer época [vá lá – em fins dos anos 1950]. [Naquela época de Copenhague a Santa Rita do Parajuru garotas dormiam cedo].

Ela [a imaginada heroína] não dormia. [De fato, sua vida lhe semelhava uma velha foto de tom fosco-violeta]. Trabalhava, voltava, vivia só e escrevia [mas a máquina de datilografar não abraçava]. Passeava pela cidade [tranquilas ruas de país quase sem crimes].

Em um café em noite banal [e vento inexistente] encontrou um rapaz [ele lhe disse ser marinheiro e porque estava na cidade – o que poupou muita conversa inútil]. Não avançou um centímetro – de fato, manteve o olhar surpreendentemente baixo [a Hiper-retidão (pensou ela a rir-se)].

Saíram dois em noite fria [mãos no bolsos]. Jogaram bolas em bonecos no parque, olharam brilhos de roda-gigante, ouviram seus passos a ressoar na rua sós. Ele disse [dois milhões de gaguejos]: você não iria se eu lhe pedisse para minha casa, não é?

- Iria – ela disse.

[Muito magra] sentou-se atravessada na cômoda [os sapatos ao chão], viu o Buda sorrindo em cima da estante [lembrança de navegações ao Oriente] refestelou-se com os chocolates exóticos.

Fizeram o que queriam, ansiavam, mordiam por fazer.

Ele lhe empresta um robe – no jardim, ela olha para cima, sem surpresa sem medo do futuro, nem vontade dele. E as estrelas, nunca teve tanta certeza que existiam.

Nenhum comentário:

Postar um comentário