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sábado, 5 de julho de 2014

030 - O Mundo dos ArKivedas

Dizem os ArKivedas [mas os ArKivedas não dizem nada] que o mundo tal como o conhecemos não existe, pois não conhecemos o mudo. A explicação de tal [não menos que confuso] oximoro consegue ser menos interessante que o mesmo: o mundo [supreendentemente] não veio de nenhum deus. [Esqueçam-se os abismos negros, as tartarugas gigantes e os guerreiros de seis braços]. De uma Dança [sem que nunca se diga quem ou o que dançava] vieram o despertar das coisas, em evento pouco espetaculoso: luz com uma banal de cor de salmão, sob fiapos de nuvens que se tornavam grossas, não uma manhã [como sempre acontece em princípios] mas em um crepúsculo, e uma figura vagamente infantil [na qual alguns viram um prenúncio de Buda – em opinião largamente minoritária].

Tal Criação absolutamente desprovida de graça se radicaliza com a própria filosofia dos ArKivedas: afirmavam que tal evento [de maneira não menos que maluca] ocorreu não antes mas após o Tempo; que a Hiper-Pureza [da qual previsivelmente se consideram os bastiões] se alcança pelo atingimento da completa indiferença, sendo a mais completa delas a indiferença aos pobres.

E esta ética [embora alguns hesitem chamá-la assim] articula-se com a sua Cosmologia: pobres não são só os pobres, nem mesmo todos os humanos ou ainda os animais – mas os seres – pois, não sabendo nem mesmo se o Universo existe, ignoram sua própria existência. Seu raciocínio [bastante contestado] não deixa de ter lógica.

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